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Filhos & Pandemia

Olá!

Você pode estranhar que a foto de capa do post de hoje seja uma mesa e um notebook. Há muito mais nesta foto que eu possa imaginar. É neste espaço que a minha filha tem vivenciado seu início de adolescência. Eu suspiro com certo alívio? Sim. Eu agradeço? Muito. No entanto, eu lamento, eu temo, eu tento… Eu espero.

Todos que me acompanham bem sabem que sempre fui alto-astral e de riso solto. E todos sabem que o nosso dia a dia nem sempre são sorrisos. Digo isso como empresária, comunicadora, brasileira e uma pessoa de fé. E o papo hoje é como mãe!

Nós, mães, somos repletas de planos, sonhos e também um bocado de receio. Somos adultas e temos que ser protagonistas das nossas próprias histórias. Porém, por vezes nos anulamos em benefício dos nossos filhos. Não é mesmo?! E me dói, confesso, pensar que minha filha não está vivenciando o início de sua adolescência da mesma maneira como eu tive o privilégio de aproveitar.

Não me refiro a viagens, a itens caros ou luxos. Digo em relação à colecionar papéis de carta, voltar à pé da escola conversando com a amiga de infância. Reunir com os amigos para o filme tão esperado, com direito a pipoca e guaraná. Eu me refiro aos singelos momentos que vivi e que hoje lamento que a Sofia não esteja vivendo algumas destas experiências.

Repito: sou grata pela saúde dela, por oferecer os alimentos que ela gosta e por estarmos seguras em nosso lar. Mas, o desabafo é o quanto é difícil este papel de mãe durante a pandemia. Tivemos que nos reinventar! E antes que eu fale o que tem mudado, o que tenho aprendido e o que tenho feito de diferente, vou compartilhar algumas histórias.

A primeira delas é de uma seguidora que me procurou para saber o que tenho feito para atravessar este momento de isolamento com a Sofia em casa. Eu pensei: “tentando não surtar”. Troquei uma ideia com outras mães sobre isso. E tive a grata surpresa de saber que elas também estão se desdobrando como podem, bem como aproveitando este momento.

A analista financeira Bárbara de Oliveira tem 38 anos e, antes da pandemia, comemorava a aprovação do primogênito, João Victor, na faculdade e aguardava a chegada do Emanuel. Hoje o caçula tem 3 anos e pouco tem aproveitado o mundo. A Bárbara está em home-office e tem se virado para acompanhar as atividades do filho. “No trabalho estou on-line das 8h às 18h. Faço intervalos para os lanches, preparo do almoço e pelo menos três vezes na semana ajudo ele nas atividades da escolinha para me certificar de que ele está atualizado”.

Ela conta que aliar o cronograma pedagógico do filho, as atividades do seu trabalho e os afazeres domésticos é complicado. Porém, aproveita este momento “para ficar mais próxima do Emanuel e acompanhar de perto seu desenvolvimento. Juntos superamos o ‘desfralde’ e tenho um tempo maior para ficar com ele e meu esposo”.

A advogada Caroline Veiga tem duas princesas: Maria Clara de 16 e Manu de 5. Ela conta que aos 35 anos de idade, às vezes, se sente esgotada. “São rotinas completamente diferentes, mas tenho me surpreendido com a maturidade da minha filha mais velha, que já compreende a situação e tem assimilado melhor as limitações que vivenciamos por causa da pandemia. Já a menor não. Para ela tem sido mais difícil compreender o porquê de não poder ir à escola, por exemplo”.

Para dar conta das duas filhas e a rotina doméstica, a advogada conta com auxílio de uma pessoa para ajudá-la durante a semana. “Aqui tomamos todos os cuidados indicados e esta ajuda foi essencial para sustentabilidade das minhas atividades profissionais. Tenho escritório próprio e as audiências têm acontecido on-line, mas há muito o que ser feito antes e depois. O tempo que gastaria com deslocamento, por exemplo, me dedico a elas. Acredito que a pandemia tem nos ensinado a olhar mais ‘para dentro’. Atualmente conversamos mais, nos conhecemos melhor, eu compartilho coisas com elas e desfrutamos momentos que se estivéssemos em outro cenário provavelmente eu não teria estas oportunidades”.

A terceira história é a minha. Comecei fazendo um desabafo e vou complementar: não é fácil! Quando me perguntam o que tenho feito com a minha filha, Sofia Caetano, eu fico bem reflexiva porque é um exercício diário, constante e sem receitas. Ao mesmo tempo em que tive a oportunidade de arrumar o quarto dela do jeitinho que ela quis, de compreender que aquele é o espaço dela, eu fico temerosa com o fato de que tudo o que ela vivencia hoje se resume àquele mundinho ali: uma mesa e o notebook.

É o local onde ela tem as aulas da escola, do Projeto Techers, flauta transversal, inglês, espanhol e psicóloga. É onde às sextas, à tarde, ela tem o momento dela para fazer o que quiser – mas, ali apenas.

O que alerto às mães, pais e/ou responsáveis é que dosem bem estes momentos com os filhos. A minha está no início da adolescência e vejo que ela é disciplinada, dedicada aos estudos e não é de muito papo, mas eu insisto em diálogo, em saber como ela está em determinados momentos. Quem convive consegue discernir se está tudo bem ou não pelo tom de voz ou pelo jeito de andar.

Temos que entender que não está fácil para nós adultos e para os adolescentes e crianças também não. É ter paciência, manter o diálogo e aproveitar a pandemia para estar mais junto e não aumentar o abismo entre nossos relacionamentos dentro de casa.

Alguns pontos:

  • Perder as estribeiras faz parte!
  • Não se iluda com imaginários coletivos de que somente as mães somos as responsáveis pelos filhos.
  • Se estiver estressado(a), não seja ríspido com os filhos. As palavras ecoam e as atitudes machucam como o pisar no pé do outro: a gente pede desculpa, mas a dor é do outro e não nossa.
  • Sejamos gratos pelos privilégios que temos. Mesmo em meio às dificuldades sempre temos algo a agradecer.
  • E saiba que você não está sozinho(a). Milhões de pessoas estão passando por perdas irreparáveis e temos que fazer nossa parte.

O que compete a mim é ter cautela e zelar pelos meus. Mas, eu tenho um compromisso com você, de deixar bem claro que estamos todos juntos nesta. E na falta de motivos: se agarre na fé ou no ideário de que este é um momento que ficará na história e que temos que ser fortes para sermos a parcela que dará continuidade.

Agradeço à Bárbara e à Caroline que compartilharam suas histórias e estão aí na luta. E em especial à você, que me concedeu a sua presença e leitura até aqui. Obrigada de coração!

Eu sou Patricia Caetano, mãe e persistente. Eu lamento, eu temo, eu tento… Eu rezo, eu sorrio, eu acredito e eu espero!

Esteja bem e aquele beijo na alma!